#dia 14 Da série #euficoemcasamasenlouqueço

01 abril 2020
A minha mãe hoje não apresentou nenhuma solução, está confiante no que o governo faz, mas confiante não é estar adormecida, que assim que lhe notar alguma incompetência, volta à carga!
Os raminhos de eucalipto da minha tia, também chegaram a casa da outra tia que eu tenho. Delas não tive feedback, mas a minha mãe disse-me que não sabia se tinha sido do eucalipto, ou de outra coisa qualquer, mas que tinha tido uma noite muito descansada e que o quarto lhe cheira a saúde. Depois lamentou o facto de eu não ter onde arranjar umas folhinhas aqui para casa.
Desde manhã que ando p 'ra fazer um doce, mas como não faço ioga como a Da.C. deixei-me disso, não vá ter de chamar uma grua para me tirarem de casa quando isto acabar.
Continuo a manter o meu banho matinal, mas perfume é que só já ponho em dia de videoconferência, que gosto de me aperaltar para as minhas reuniões profissionais. Quem me entende é a Kate Middleton. Hoje vi uma foto dela a trabalhar no escritório lá de casa e, de facto,  segue a mesma linha que eu. Pelo menos a parte que deixou fotografar, que eu cá aposto que fora do ângulo do fotógrafo deve haver muita roupa por dobrar. Mas também com três crianças em casa não deve ser fácil.
A ver se vou jantar, para ver se descanso um bocadinho as pernas, que andam num virote todo o dia.
Até amanhã.

#dia 13 (continuação)

31 março 2020
Fiquei a saber que a D.ª C., depois de um "senhor cozido", foi fazer ioga. Digo-o, atenção, não porque ache que a Dª C. vai ficar gorda a comer e a beber daquela maneira, mas porque me vai espantar a sua forma física!

A D. pediu-me que corrigisse uma coisa no parágrafo que começava por "Neste segundo período...", que não parecia completo, escrevia. Eu cá fui logo corrigir, e embora não visse qualquer pertinência no reparo, sem qualquer contrariedade substitui por "Ao longo deste período...", emenda que deu azo a um imediato telefonema, no qual a D. aproveitou para me enxovalhar, dizendo-me que eu era como os alunos. Que não lia tudo até ao fim. Que não era aquele início de parágrafo, era uma frase inacabada no parágrafo que começava pela expressão supracitada.
Depois, sem qualquer contemplação, ouvi-a perguntar:
- Olha lá, tens mel?
-Sim - respondi eu, enquanto já pensava, voluntariosa e desprendida, dar-lhe um frasquito que trouxera do meu Alentejo.
- E está a funcionar?
Eu, que não sou parva, achei logo a pergunta estranha  e antecipei-me:
- Oh, D., creio que não estamos a falar da mesma coisa.
Voltei a perguntar que pergunta é que me tinha feito. Ela respondeu e eu também, dizendo-lhe:
- Ah, não, eu tenho NOS.


#dia 13

Covid-19

Solução isolamento
A minha mãe acha que para que os que se queixam por estarem confinados a quatro paredes há uma solução: "Ele (o primeiro-ministro) que diga que podem sair, mas que têm de pegar numa enxada e cavar o quintal dos vizinhos que vivem no campo. É o saem!"

Quase solução covid-19
A minha tia viu num vídeo que eucalipto era muito bom, que não sabia se acabava com o maldito vírus, mas não havia mal nenhum em experimentar. E como tem um coração gigantesco, mandou logo o meu tio ir apanhar umas ramas. Depois pôs mãos à obra e toca de fazer uns molhinhos e distribuir pela família." Ponham-nos no quarto",  dizia ela.
 Quem me contou isto foi a minha mãe, que emocionada comentou: "Coitadinha, lembrou-se também de mim", e continuou " mas eu disse-lhe logo que à noite tinha de o tirar, por causa das minhas alergias e ela disse que a tua prima também já estava farta de espirrar."

E eu, deste confinamento, era moça para pegar numa enxada e ir cavar o nosso quintal e o dos vizinhos. E era moça também para pôr umas ramas de eucalipto aí no quarto e adormecer com esse sorriso de ternura que a simplicidade genuína nos dá.
Obrigada ♥️

As máquinas

05 novembro 2019

Apesar da tecnologia ser parte do século XXI, há máquinas por aí, no dia a dia, que não fazem rigorosamente nada, ou seja, são uma perda de dinheiro para a pessoa que as comprou.
Na minha opinião, se há máquinas, elas deviam funcionar, não só fazer de enfeite. Por exemplo, no Intermarché agora há um “portão eletrónico”: em primeiro lugar, aquilo só abre quando quer e fecha quando quer. Eu já vi pessoas à frente do “portão” a abanar as mãos por todo lado,  a tentar fazer como que aquilo abra, mas acabam por desistir e ir embora. Em segundo lugar, há vezes em que não abre, nem sozinho, nem se estiver alguém a tentar abri-lo.
Por outro lado, temos as máquinas registadoras, que, de vez em quando, param de funcionar, ou adicionam uma pizza que não comprámos e mais dois euros e noventa e nove ao talão.
Depois, quando pegamos nas compras para ir embora, temos as máquinas de alarme, que fazem um baruho terrível, por causa de uma fita de que nos esquecemos dentro da blusa.
Conclusão, não vá às compras com uma blusa da Primark, nem tante entrar pelo “portão electrónico” e, acima de tudo, nunca vás às compras com pressa, é que vai perder a sua marcação no médico.
Tudo graças às máquinas.


Rhiannon Bergson, 9ºF

Óculos graduados

04 novembro 2019

Vou ter de começar este texto de alguma maneira, portanto, o assunto que vou abordar será o dos óculos graduados. Não poderei fazer comparação entre usá-los e não os usar, porque durante toda minha vida os utilizei, por isso o que realmente me levou a escolher este tema foi o facto de, pela oitava vez, ter conseguido partir outro par.
Primeiramente, deixem-me dizer que não existe praticamente nenhuma vantagem em utilizar este tipo de óculos, pela minha experiência, a única vantagem é poder ver o mundo de outras formas, pois basta tirá-los e vejo tudo às manchas. Já se os inclinar no nariz, vejo tudo, como hei de descrever, esticado, tudo à volta parece estar a ser sugado. Isto só serve para quando estou aborrecida enão tenho nada para fazer.
Tirando esta brincadeira, tudo o resto é extremamente maçante, não posso usar cachecol, porque os óculos ficam embaciados; vou tentar comer alguma coisa quente, como sim, mas sem ver nada. Se os tiro não vejo e se os mantenho fico na mesma. Ao levar com uma bola ou um telemóvel na cara, dói ainda mais, graças à aquela coisa que se prende no nariz.

Terei de comprar óculos específicos para tudo, ou seja, se quero fazer mergulho, praticar um desporto mais perigoso  ou quaisquer outras atividades que necessitem de proteção facial,  eu não consigo realizar tudo a 100%, porque não vejo nada, é a vida…
Para além de tudo isto, existe uma certa atração por parte das pessoas para serem minhas oftalmologistas: mal eu pego nos óculos para os limpar, vem logo um amigo perguntar “posso experimentá-los?” e depois afirmações muito úteis, como “Ah! tu tens muita falta de vista, sabias?”, coisa de que eu não fazia ideia. Seguidamente, vem o derradeiro teste de “quantos dedos tenho aqui?” e “o que está escrito ali?”. Eu devo informar que consigo ver como uma pessoa normal durante 15 segundos, após isso vem a dor nos olhos.


Bem, se não usa óculos, sinta-se sortudo, porque não existe coisa mais irritante do que depender das condições meteorológicas para ver alguma coisa, nem nada mais incómodo que a dor que causam, e claro, o desespero que é vê-los partidos, em duas partes… aí vem o murro no estômago ao ver o preço no final da fatura da ótica.

Ana Curado
9ºE

A outra - a crónica necessária

05 fevereiro 2019



Contrariamente à crónica anterior, esta reveste-se de uma pertinência inegável. É que, ontem, entre perguntas como “Então e a crónica?” e “Passei todo o fim-de-semana no Facebook”, também houve comentários mais sérios, revestidos de uma inegável tristeza que, naturalmente, comoveram este brando coração que trago no peito. Eis o responsável de tamanha comoção:
- Olha lá, Antónia, quando é que entraste no elevador sem que eu te visse?
Pus em funcionamento os incontáveis neurónios que trago comigo, numa tentativa desesperada de perceber exactamente a que é que a colega em causa se referia. Assomou-me logo uma pergunta: seria suposto ela ver-me sempre que entro no elevador? Ou andaria a colega a controlar as vezes que subo e desço, numa tentativa de controlar e baixar a conta da energia que a escola gasta? Já a chegar a um ponto de insustentável indignação, lá consegui alcançar o que me pretendia perguntar:
- Não eras tu! – disse logo eu, com a sensatez e a sensibilidade que tanto me caracterizam. Só depois me apercebi do olhar de desilusão com que me miravam. Numa questão de segundos, tentei “compor o ramalhete” e noutra fracção de segundos, achei melhor não piorar as coisas e disse:
- Agora tenho aula, depois falamos.
Passo a explicar: na penúltima crónica, referia a fúria da colega M.C. que passou por mim sem me ver, tal o estado de desorientação em que ia, para nem sequer reparar na pessoa que sou. Ora o que é que acontece? O que acontece é que as pessoas gostam muito da coscuvilhice e vá de lerem as crónicas, para, de alguma forma, encontrarem sentido para a sua existência. (Permitam-me este parêntesis, o sentido da existência é não ter qualquer sentido. Isto só para vos poupar a buscas infrutíferas.)
Vai daí, uma colega, que também é M.C., mas não a M.C. a quem me referia no textozinho, achou que era dela de quem falava e vá de me pedir explicações. Onde é que eu a tinha visto, sem que ela me tivesse visto e/ ou vice-versa. Foi neste seguimento que veio a tal resposta: “Não eras tu”, que quase fez verter uma lágrima à M.C. a quem não me referira.
Para que fique claro, a colega M.C. aludida é a de M., já a outra, a que teve pena de não ser ela, é de M. Faço-me entender? É que não posso passar das iniciais, por uma questão de protecção da privacidade, coisa que está muito na moda e eu gosto muito da vanguarda. Vai daí, caríssimos leitores, deixo-vos a pensar. Quem é a colega M.C. referida? Quem é a colega M.C. ignorada, mas que ansiava por ser referida?
Importa uma discussão séria em torno da questão. A colega M.C. agradece. E lá está de novo o equívocozinho.  A quem me referirei?
Depois da aula, encontrei-a. A que pensava ter sido referida e que recebeu, como faca afiada no peito, o desengano de que a M.C. não era ela. Era a outra. E disse-me ela. A que não apareceu na crónica:
- Ah, e eu a pensar que era eu…
- Não, “afinal havia outra(1)”, mas vou escrever só para ti. – assegurei.
Como não falto à palavra dada e tenho muitos testes para corrigir, aqui estou a escrever para a M.C., de M., não a M.C., de M.
E assim vão os dias…

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(1(1)  – “Afinal havia outra” –êxito musical de Mónica Sintra, essa incontornável voz da mais erudita música portuguesa.

A crónica não precisava ser escrita

04 fevereiro 2019


Que se fique já a saber que deveria estar a corrigir testes e que não estou, porque hoje, na escola, à minha passagem, uma pergunta se levantava: “E a crónica?”.  Também me chamou à atenção o comentário da Dª M.C.: “Pressora, por sua culpa passei o fim-de-semana no Facebook”, dizia-me ela que era para ver se eu já tinha publicado a crónica, mas percebi que aquilo era mais para justificar uma preguiça que é incapaz de assumir.
Ora, não entendo o alarido à volta de uma crónica, cujo assunto é não ter assunto: na sexta-feira, perdi o telemóvel e depois encontrei-o. Já está.
Seguramente ninguém vai estar à espera que eu diga que, à saída de uma das aulas, precisei dele e não o encontrei. Com a tranquilidade que me caracteriza, fui à sala dos professores, onde ainda me deixam entrar, e esvaziei o Mancha Mobile, sem qualquer sucesso, pois continuava desaparecido. Foi então o momento de pôr em marcha o plano de emergência: cara fechada, sopros da raiva que se quer conter e procurar os moços, que ao verem-me com uma expressão tão distante da simpatia, cordialidade e todas essas coisas boas que me caracterizam, também eles puseram o seu ar mais preocupado, ouvindo-me atentamente e falando-me baixinho, como quem tem medo de ferir a minha sensibilidade auditiva. No enquanto, levantavam os bracinhos, dizendo “Não fui eu, a sério!”. É claro que são todos umas “bocas de trapos” e, sem que eu precisasse de fazer mais nada, viu-se a escola toda ingerida no caso.
Praticamente foi só isto o que aconteceu na 6ª feira. Merece crónica? Não. Eu sei, mas a Dª M.C. precisa justificar o trabalho doméstico que não fez, daí que esteja aqui a escrever estas linhas.
Depois de andar tudo à procura e de me de se encostarem às paredes, quando eu passava no corredor, vendo a minha expressão pouco serena, o colega G.M. até se prontificou a ligar-me, mas eu cá disse-lhe logo que o telemóvel estava no silêncio, por isso era escusada a chamada. Raposa velha como sou, percebi logo o que ele queria era o meu número. Depois da minha recusa, bem lhe vi no rosto um trejeitozinho de contrariedade, que deliberadamente ignorei, entrando na sala, sem cabeça para nada, mas tentando dar uma aula.
Nesse momento, o T., na sua atrapalhação verbal, disse-me assim:
- Pressora há um site que com uma conta se a pressora ma der dá para ver onde ele está!
Tenho alguma agilidade mental e, enquanto ouvia o petiz, o meu pensamento tomou dois caminhos em simultâneo: por um lado,  que ele era bem capaz de ter razão e, por outro, que tinha de insistir mais na expressão oral, pois notava no jovem uma certa falta de fluência. Terminado pensamento, perguntei:
- Qual conta?
E ele respondeu:
- A sua!
Eu pensei na conta bancária, mas não lhe ia dar o número da minha falência, vai daí, retorqui:
- Qual?
- Atão pressora, no telemóvel tem uma conta e isso, é essa.
Aquele “isso, é essa” confundiu-me, pelo que voltei à carga:
- Mau! – disse já a azedar – Eu dou-te a do mail e já se vê.
Depois deste diálogo esclarecedor, o T. entrou no computador (ah, a extensão semântica), abriu a página do GMail e pediu-me que introduzisse o meu correio electrónico, que fiz, seguindo-se a password (ah, o estrangeirismo), enquanto o T., educadamente, virava a cara, dado o secretismo de tudo isto se reveste.
Enquanto a página abria, toda a turma se questionava sobre o paradeiro do telemóvel: que parecia mentira, diziam uns; que devia estar no trolley, diziam outros, ao que esclareci que já havia tirado tudo lá de dentro; depois os que afirmavam que o programa que o T. estava a usar era muito bom, que o telemóvel tocaria, ao que eu retorquia que, mesmo que o encontrasse, não ia tocar, pois estava no silêncio, e, no meio disto tudo, havia a E., que dizia, com ar circunspecto e algo misterioso:
- A pressora de certeza que foi roubada.
Terminada a frase, a sala emudeceu, os semblantes empalideceram, as pupilas dilataram-se: soava um telemóvel! Eu cá ainda pensei em averiguar para marcar a respectiva falta disciplinar, mas depois lembrei-me de que o meu estava perdido e notei que o som parecia vir do Mancha Mobile. Comecei a abrir os vários compartimentos e… nada. Mas agora havia uma certeza: o telemóvel aparecera. Já quase toda a turma com as orelhinhas encostadas ao trolley,  tudo a dizer muitas coisas ao mesmo tempo, o T., irritado, disse logo:
- Eh pá, calem-se para ver se o barulho vem de onde.
Dei-lhe razão, enquanto pensava na imperiosa necessidade de lhe aperfeiçoar a expressão.
E pronto. O telemóvel estava no trolley.
Obrigada, T. e todos os que se empenharam nesta tarefa.  
Para dizer isto era necessário escrever uma crónica? Eu creio que não.  Mas temos de ser uns para os outros, e a Dª M.C. precisava de uma justificação para o injustificável.
E assim vão os dias…