As máquinas

05 novembro 2019

Apesar da tecnologia ser parte do século XXI, há máquinas por aí, no dia a dia, que não fazem rigorosamente nada, ou seja, são uma perda de dinheiro para a pessoa que as comprou.
Na minha opinião, se há máquinas, elas deviam funcionar, não só fazer de enfeite. Por exemplo, no Intermarché agora há um “portão eletrónico”: em primeiro lugar, aquilo só abre quando quer e fecha quando quer. Eu já vi pessoas à frente do “portão” a abanar as mãos por todo lado,  a tentar fazer como que aquilo abra, mas acabam por desistir e ir embora. Em segundo lugar, há vezes em que não abre, nem sozinho, nem se estiver alguém a tentar abri-lo.
Por outro lado, temos as máquinas registadoras, que, de vez em quando, param de funcionar, ou adicionam uma pizza que não comprámos e mais dois euros e noventa e nove ao talão.
Depois, quando pegamos nas compras para ir embora, temos as máquinas de alarme, que fazem um baruho terrível, por causa de uma fita de que nos esquecemos dentro da blusa.
Conclusão, não vá às compras com uma blusa da Primark, nem tante entrar pelo “portão electrónico” e, acima de tudo, nunca vás às compras com pressa, é que vai perder a sua marcação no médico.
Tudo graças às máquinas.


Rhiannon Bergson, 9ºF

Óculos graduados

04 novembro 2019

Vou ter de começar este texto de alguma maneira, portanto, o assunto que vou abordar será o dos óculos graduados. Não poderei fazer comparação entre usá-los e não os usar, porque durante toda minha vida os utilizei, por isso o que realmente me levou a escolher este tema foi o facto de, pela oitava vez, ter conseguido partir outro par.
Primeiramente, deixem-me dizer que não existe praticamente nenhuma vantagem em utilizar este tipo de óculos, pela minha experiência, a única vantagem é poder ver o mundo de outras formas, pois basta tirá-los e vejo tudo às manchas. Já se os inclinar no nariz, vejo tudo, como hei de descrever, esticado, tudo à volta parece estar a ser sugado. Isto só serve para quando estou aborrecida enão tenho nada para fazer.
Tirando esta brincadeira, tudo o resto é extremamente maçante, não posso usar cachecol, porque os óculos ficam embaciados; vou tentar comer alguma coisa quente, como sim, mas sem ver nada. Se os tiro não vejo e se os mantenho fico na mesma. Ao levar com uma bola ou um telemóvel na cara, dói ainda mais, graças à aquela coisa que se prende no nariz.

Terei de comprar óculos específicos para tudo, ou seja, se quero fazer mergulho, praticar um desporto mais perigoso  ou quaisquer outras atividades que necessitem de proteção facial,  eu não consigo realizar tudo a 100%, porque não vejo nada, é a vida…
Para além de tudo isto, existe uma certa atração por parte das pessoas para serem minhas oftalmologistas: mal eu pego nos óculos para os limpar, vem logo um amigo perguntar “posso experimentá-los?” e depois afirmações muito úteis, como “Ah! tu tens muita falta de vista, sabias?”, coisa de que eu não fazia ideia. Seguidamente, vem o derradeiro teste de “quantos dedos tenho aqui?” e “o que está escrito ali?”. Eu devo informar que consigo ver como uma pessoa normal durante 15 segundos, após isso vem a dor nos olhos.


Bem, se não usa óculos, sinta-se sortudo, porque não existe coisa mais irritante do que depender das condições meteorológicas para ver alguma coisa, nem nada mais incómodo que a dor que causam, e claro, o desespero que é vê-los partidos, em duas partes… aí vem o murro no estômago ao ver o preço no final da fatura da ótica.

Ana Curado
9ºE

A outra - a crónica necessária

05 fevereiro 2019



Contrariamente à crónica anterior, esta reveste-se de uma pertinência inegável. É que, ontem, entre perguntas como “Então e a crónica?” e “Passei todo o fim-de-semana no Facebook”, também houve comentários mais sérios, revestidos de uma inegável tristeza que, naturalmente, comoveram este brando coração que trago no peito. Eis o responsável de tamanha comoção:
- Olha lá, Antónia, quando é que entraste no elevador sem que eu te visse?
Pus em funcionamento os incontáveis neurónios que trago comigo, numa tentativa desesperada de perceber exactamente a que é que a colega em causa se referia. Assomou-me logo uma pergunta: seria suposto ela ver-me sempre que entro no elevador? Ou andaria a colega a controlar as vezes que subo e desço, numa tentativa de controlar e baixar a conta da energia que a escola gasta? Já a chegar a um ponto de insustentável indignação, lá consegui alcançar o que me pretendia perguntar:
- Não eras tu! – disse logo eu, com a sensatez e a sensibilidade que tanto me caracterizam. Só depois me apercebi do olhar de desilusão com que me miravam. Numa questão de segundos, tentei “compor o ramalhete” e noutra fracção de segundos, achei melhor não piorar as coisas e disse:
- Agora tenho aula, depois falamos.
Passo a explicar: na penúltima crónica, referia a fúria da colega M.C. que passou por mim sem me ver, tal o estado de desorientação em que ia, para nem sequer reparar na pessoa que sou. Ora o que é que acontece? O que acontece é que as pessoas gostam muito da coscuvilhice e vá de lerem as crónicas, para, de alguma forma, encontrarem sentido para a sua existência. (Permitam-me este parêntesis, o sentido da existência é não ter qualquer sentido. Isto só para vos poupar a buscas infrutíferas.)
Vai daí, uma colega, que também é M.C., mas não a M.C. a quem me referia no textozinho, achou que era dela de quem falava e vá de me pedir explicações. Onde é que eu a tinha visto, sem que ela me tivesse visto e/ ou vice-versa. Foi neste seguimento que veio a tal resposta: “Não eras tu”, que quase fez verter uma lágrima à M.C. a quem não me referira.
Para que fique claro, a colega M.C. aludida é a de M., já a outra, a que teve pena de não ser ela, é de M. Faço-me entender? É que não posso passar das iniciais, por uma questão de protecção da privacidade, coisa que está muito na moda e eu gosto muito da vanguarda. Vai daí, caríssimos leitores, deixo-vos a pensar. Quem é a colega M.C. referida? Quem é a colega M.C. ignorada, mas que ansiava por ser referida?
Importa uma discussão séria em torno da questão. A colega M.C. agradece. E lá está de novo o equívocozinho.  A quem me referirei?
Depois da aula, encontrei-a. A que pensava ter sido referida e que recebeu, como faca afiada no peito, o desengano de que a M.C. não era ela. Era a outra. E disse-me ela. A que não apareceu na crónica:
- Ah, e eu a pensar que era eu…
- Não, “afinal havia outra(1)”, mas vou escrever só para ti. – assegurei.
Como não falto à palavra dada e tenho muitos testes para corrigir, aqui estou a escrever para a M.C., de M., não a M.C., de M.
E assim vão os dias…

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(1(1)  – “Afinal havia outra” –êxito musical de Mónica Sintra, essa incontornável voz da mais erudita música portuguesa.

A crónica não precisava ser escrita

04 fevereiro 2019


Que se fique já a saber que deveria estar a corrigir testes e que não estou, porque hoje, na escola, à minha passagem, uma pergunta se levantava: “E a crónica?”.  Também me chamou à atenção o comentário da Dª M.C.: “Pressora, por sua culpa passei o fim-de-semana no Facebook”, dizia-me ela que era para ver se eu já tinha publicado a crónica, mas percebi que aquilo era mais para justificar uma preguiça que é incapaz de assumir.
Ora, não entendo o alarido à volta de uma crónica, cujo assunto é não ter assunto: na sexta-feira, perdi o telemóvel e depois encontrei-o. Já está.
Seguramente ninguém vai estar à espera que eu diga que, à saída de uma das aulas, precisei dele e não o encontrei. Com a tranquilidade que me caracteriza, fui à sala dos professores, onde ainda me deixam entrar, e esvaziei o Mancha Mobile, sem qualquer sucesso, pois continuava desaparecido. Foi então o momento de pôr em marcha o plano de emergência: cara fechada, sopros da raiva que se quer conter e procurar os moços, que ao verem-me com uma expressão tão distante da simpatia, cordialidade e todas essas coisas boas que me caracterizam, também eles puseram o seu ar mais preocupado, ouvindo-me atentamente e falando-me baixinho, como quem tem medo de ferir a minha sensibilidade auditiva. No enquanto, levantavam os bracinhos, dizendo “Não fui eu, a sério!”. É claro que são todos umas “bocas de trapos” e, sem que eu precisasse de fazer mais nada, viu-se a escola toda ingerida no caso.
Praticamente foi só isto o que aconteceu na 6ª feira. Merece crónica? Não. Eu sei, mas a Dª M.C. precisa justificar o trabalho doméstico que não fez, daí que esteja aqui a escrever estas linhas.
Depois de andar tudo à procura e de me de se encostarem às paredes, quando eu passava no corredor, vendo a minha expressão pouco serena, o colega G.M. até se prontificou a ligar-me, mas eu cá disse-lhe logo que o telemóvel estava no silêncio, por isso era escusada a chamada. Raposa velha como sou, percebi logo o que ele queria era o meu número. Depois da minha recusa, bem lhe vi no rosto um trejeitozinho de contrariedade, que deliberadamente ignorei, entrando na sala, sem cabeça para nada, mas tentando dar uma aula.
Nesse momento, o T., na sua atrapalhação verbal, disse-me assim:
- Pressora há um site que com uma conta se a pressora ma der dá para ver onde ele está!
Tenho alguma agilidade mental e, enquanto ouvia o petiz, o meu pensamento tomou dois caminhos em simultâneo: por um lado,  que ele era bem capaz de ter razão e, por outro, que tinha de insistir mais na expressão oral, pois notava no jovem uma certa falta de fluência. Terminado pensamento, perguntei:
- Qual conta?
E ele respondeu:
- A sua!
Eu pensei na conta bancária, mas não lhe ia dar o número da minha falência, vai daí, retorqui:
- Qual?
- Atão pressora, no telemóvel tem uma conta e isso, é essa.
Aquele “isso, é essa” confundiu-me, pelo que voltei à carga:
- Mau! – disse já a azedar – Eu dou-te a do mail e já se vê.
Depois deste diálogo esclarecedor, o T. entrou no computador (ah, a extensão semântica), abriu a página do GMail e pediu-me que introduzisse o meu correio electrónico, que fiz, seguindo-se a password (ah, o estrangeirismo), enquanto o T., educadamente, virava a cara, dado o secretismo de tudo isto se reveste.
Enquanto a página abria, toda a turma se questionava sobre o paradeiro do telemóvel: que parecia mentira, diziam uns; que devia estar no trolley, diziam outros, ao que esclareci que já havia tirado tudo lá de dentro; depois os que afirmavam que o programa que o T. estava a usar era muito bom, que o telemóvel tocaria, ao que eu retorquia que, mesmo que o encontrasse, não ia tocar, pois estava no silêncio, e, no meio disto tudo, havia a E., que dizia, com ar circunspecto e algo misterioso:
- A pressora de certeza que foi roubada.
Terminada a frase, a sala emudeceu, os semblantes empalideceram, as pupilas dilataram-se: soava um telemóvel! Eu cá ainda pensei em averiguar para marcar a respectiva falta disciplinar, mas depois lembrei-me de que o meu estava perdido e notei que o som parecia vir do Mancha Mobile. Comecei a abrir os vários compartimentos e… nada. Mas agora havia uma certeza: o telemóvel aparecera. Já quase toda a turma com as orelhinhas encostadas ao trolley,  tudo a dizer muitas coisas ao mesmo tempo, o T., irritado, disse logo:
- Eh pá, calem-se para ver se o barulho vem de onde.
Dei-lhe razão, enquanto pensava na imperiosa necessidade de lhe aperfeiçoar a expressão.
E pronto. O telemóvel estava no trolley.
Obrigada, T. e todos os que se empenharam nesta tarefa.  
Para dizer isto era necessário escrever uma crónica? Eu creio que não.  Mas temos de ser uns para os outros, e a Dª M.C. precisava de uma justificação para o injustificável.
E assim vão os dias…  

Estão todos avisados

31 janeiro 2019



É certo que tenho andado calada, muito por culpa desta timidez que me enforma e não por falta do que contar. Também é certo que estou em falta para com os moços de uma das minhas turmas, que a cada aula reclamam a cronicazinha dos TPC, ainda por fazer, não por desmerecimento, tão só por culpa da mesma culpada da frase anterior. No entanto, apesar desses atrasos, que tenho a certeza me serão perdoados, até porque são apenas atrasos, não esquecimento, no entanto, dizia eu, não poderia deixar passar a multa que me passaram.
A tarde tinha tudo para ser normal, mas percebi que estava enganada, pois ao dirigir-me para o elevador, a colega M.C. atravessou-se à minha frente sem me ver. Eu ainda tentei dizer qualquer coisa, mas ela estava nervosa. Era com um petiz. Quis parecer-me que ele lhe estava a dar música e ela com uma enorme vontade de pôr a cantar, coisa que não posso confirmar, pois apressei-me a subir, não por medo, que a colega M.C. não mete medo a ninguém. Quando está calma. Não era o caso. Vai daí, e por amor a mim, dirigi-me para a sala e onde encontrei a pouca vergonha que ilustra este textozinho: uma multa!

Um papelito anónimo, num português que eu imaginei ser algum crioulo de Cabo Verde, dirigindo-me logo ao M. com cara de poucos amigos. Que não, que não tinha sido ele. Foi então, como quem está desejando de contar, que os culpados, orgulhosamente, assumiram o seu feito: O J., de quem eu esperaria tudo, menos uma coisa destas; o A., de quem esperaria coisa pior e o Q., de quem não sei o que esperar.
Reza a multa que atravesso o corredor em excesso de velocidade, colocando em perigo os transeuntes. Pois agora fica o aviso, e não apenas a estes três jovens ousados, mas a toda a comunidade escolar: vai começar o inferno “Fast & Furious”, quero ver se há papel que chegue para me autuarem.
Só peço é que não chamem os senhores agentes, os verdadeiros, não que tenha alguma coisa contra, só um pequeno receio…é que afloram-se-me à memória os muitos encontros que já tivemos pelas estradas deste mundo e dos quais sempre saí magoada. É uma relação sem futuro. Não insistam, por isso, em juntar-nos.

Coisas sérias - Educação Inclusiva - Acomodações curriculares

14 dezembro 2018

Em virtude das grandes alterações impostas pelo Decreto-Lei nº54/2018 e das dúvidas que pairam no ar, mesmo após a leitura dos documentos de apoio, decidi publicar este vídeo que encontrei, aquando das minhas pesquisas.
Parece-me muito claro. 
Espero que vos ajude.
Bom trabalho a todos!


As roídas de inveja - dedicatória a duas colegas

25 outubro 2018

Tudo isto aconteceu há três dias atrás, mas… como esquecê-lo? Chegava ao estacionamento e lá vinha a colega R. B. com a sua herdeira. Veio logo a correr, aos gritos, a chamar por mim. Eu entendi a sua reacção, até porque é algo que as pessoas fazem sempre que me encontram, mas a menina ainda não tem entendimento e notei que se sentiu um pouco desconfortável ao ver a sua mãe naqueles preparos. Não se deve sentir vergonha de uma mãe, eu não sinto da minha, mas ela também nunca me saiu do carro, a correr e a chamar por quem passa.
Mas dizia eu, a colega R.B., esse marco de discrição, saiu do carro a chamar assim:
- Pchté! Eh! ‘Tão!
Confesso que, pela delicadeza do chamamento e pela variedade vocabular, pensei  fossem os alunos a reagir à minha passagem, mas não. Era ela.
- Olá, R.! Então hoje trazes a tua pequena M.? – respondi eu, num tom de voz bem colocado, para que, sem que me obrigasse à indelicadeza de lhe dizer, ela percebesse que tinha de estar  à minha altura, coisa duplamente difícil, dado o pouco mais de metro e meio de elegância que a colega ostenta.
- ‘Tão? – perguntou, carregadinha de modos e um sorriso rasgado.
Eu como não entendi a pergunta, não sei se por ser um pouco vazia de sentido, se por causa dos meus problemas de compreensão de enunciados orais, comecei a falar com a pequena M., que do alto dos seus 10 anos, manifestou um discurso mais rico e incomparavelmente mais coerente. E perguntei-lhe:
- Olha, queres vir à minha aula?
- Não! – respondeu a petiz de imediato, enquanto balançava negativamente a cabeça e todo o seu pequeno corpinho. Percebi logo que queria ir.
Ante o toque de entrada e a iminência de ir para a aula de Matemática da mãe, decidiu, sem surpresa, ir para a minha de Português. Os meus jovens alunos estavam a fazer o teste, então sentámo-nos lado a lado a desenhar. Devo dizer que fiquei, perdoem-me, ficou impressionada com o meu talento artístico.
Ao toque de saída, disse-me que tinha gostado muito e até acrescentou:
- Para te mostrar que gostei muito, sabes uma coisa?
- Não – respondi.
- Para a semana conta comigo! – assegurou com a felicidade estampada no rosto.
Ora depois deste episódio, já à saída da escola, encontrámos quem? Naturalmente, a colega I.O. que anda sempre a fazer-se notar para ver se entra aqui. E se muitas vezes a ignoro, ali não o podia fazer. Ao aperceber-se da vontade da pequena em voltar a ir à minha aula, sabe, caro leitor, o que lhe disse?
- Olha, queres ir à minha aula de ciências? Vai ser uma aula prática, vai ser muito gira! – isto acompanhado daquele sorriso que já se lhe conhece e que até enerva.
A petiz vacilou. A pequena ainda não aprimorou o gosto e parece que é a sua disciplina favorita. A mãe, essa, incentivava-a, enquanto me enfrentava com um olhar ressabiadíssimo. A colega I.O. olhava-me, também, desafiadora. Eu, cá mantive a elegância e só disse:
- ‘ aula de Ciências, sim, giríssima, só pedras , uh uh, isso sim, uma aula, ahhh…
E a passos largos subi as escadas, esbracejando e maldizendo o mundo.
E assim foi o dia.