Poesia e cabras . E Gil Vicente

30 novembro 2017

Era mais uma aula sobre Gil Vicente e eu estava entusiasmada. Símbolos cénicos para aqui, pecados para ali,e Anjos e Diabos e parece que, inadvertidamente, fiz uma rima, que de imediato despertou o H., que a estas coisas está sempre atento, e que disse, com aquele sorriso a fechar os olhinhos:
- Ahí, até rimou!
Eu cá até nem sou disto, mas disse:
- Sabes, eu sou mesmo assim, H., abro a boca e sai poesia!.
- Já o H. calado é um poeta. – disse logo o F., que até nem é muito de se manifestar.
Prosseguiu a aula, eu a emanar poesia a cada palavra, a turma que sim, que entendia, tudo conforme, até que o A. disse assim:
 - Pressora, atão o símbolo cénico do Judeu é a cabra, não é? – que sim, dizia eu, já a adivinhar a pérola que estava prestes a proferir – e o símbolos cénicos estão, tipo, associados aos pecados que as personagens cometeram em vida, não é? – que sim, embora, esta personagem se destacasse por…
- Ahí, eu nem quero pensar no que ele fez à pobre cabra! – isto foi dito com a manita sobre a testa, como quem imagina aquilo em que dizia não querer pensar.


Até eu fiquei com pena do animal, confesso.

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(Crónicas dos alunos) Teste de Português

09 novembro 2017
Lá estava eu, a dormir, até que o “Justin” me acorda a cantar um dos seus maiores êxitos. Levantei-me da cama e lembrei-me que tinha teste Português, era um pouco mau, pois tinha aula de Educação Física mesmo antes do teste.
Ao chegar à escola, deu o toque para entrar nas salas de aula. Equipei-me e, meia hora depois, a professora chega à escola, com a desculpa de que a bateria da carrinha tinha acabado. Durante o resto da aula jogámos voleibol e eu, como campeão mundial da minha rua, executei um dos meus espetaculares golpes, levando com a bola no dedo. Como não sou nenhum mariquinhas, terminei a aula sem dizer nada.
Agora estou a escrever um pequeno texto de 180 a 240 palavras, coisa pouca, no meu teste de Português, que está a decorrer neste momento, mas não me consigo concentrar, pois a professora não para quieta, sempre de um lado para o outro, e a cada passo que dá, as suas botas fazem um barulho esquisito, por isso, professora, tenha piedade ao corrigir o teste e, para a próxima, traga umas botas melhorzinhas.

Agora vou ter de terminar, pois já devo ter as palavras suficientes.

                                                                                                                Gonçalo Guerreiro, 9ºD

(Crónicas dos alunos) Ida ao supermercado

07 novembro 2017

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Seria um dia normal, mas não foi, foi um dos piores dias para mim, dia de ir às compras.
Desde já vou explicar o meu desinteresse por esse acontecimento: primeiro, todas a minha mãe pára para conversar com todas as pessoas que vê. Eu já “bufo” e lhe digo para irmos, ao que ela responde “deixa-me acabar de falar” e eu “bufo” de novo. Em segundo lugar, as pessoas empurram-se umas às outras, não se desviando ou pedindo desculpa. Finalmente, quando a minha mãe já tem tudo comprado, vamos para a linha de caixa, e aí está outro problema: ou estão quase todas  fechadas ou estão todas abertas, por causa da multidão.
Já estamos na fila e, mais uma vez, somos empurradas. Quando chega a altura da minha mãe pôr as compras na passadeira, lembra-se que ainda lhe falta um produto. “Bufo” novamente. A minha mãe volta, finalmente paga, vamos embora e, de novo, ela torna a encontrar outra amiga, a tal amiga.
Conclusão: quando chegamos a casa, a minha mãe pousa as compras, vê as horas, conclui que já está em cima da hora para fazer o jantar, mas repara que se esqueceu de alguma coisa. E lá vou eu fazer uma maratona até ao supermercado.

                                                                                                                                      Nicole Ferro, 9ºE

(Crónicas dos alunos) Circo Mancha

06 novembro 2017

Entrar numa aula de português é como entrar no circo, uma sensação mágica. É como se, a partir do momento em que entramos pela porta da sala, em vez de alunos, passássemos a ser apenas felicíssimos espetadores à espera de mais um magnífico espetáculo. Gosto das atuações, porque sei que em mais nenhum circo são como estas. Nestas, apenas um e só uma pessoa brilha.
Eis que entra o apresentador, com as suas adoradas botas de biqueira de aço, apresenta os planos daquela “sessão” e nós, espetadores, escutamo-lo, observamos e apontamos, escrevendo o número que nos deu e colocando a data. De seguida, os planos. Depois, retira-se. Entra o senhor das adivinhas, com a intenção de que, sessão após sessão, nós memorizemos as respostas às suas perguntas. Por vezes, enerva-se um pouco com a nossa ignorância, mas, muitas vezes elogia-nos, quando sabemos responder corretamente. A meio, entra o palhaço, conta-nos algumas piadas ou até mesmo situações do dia-a-dia.
No final do espetáculo, depois de tantas emoções juntas, até dá pena termos de arrumar… tudo volta a ser como era dantes, uma sala de aula comum, nós alunos e a nossa professora.
Tudo isto faz com que noventa minutos da aula de português sejam mágicos e únicos!  

Mariana Arsénio, 9ºE  

(Crónicas dos alunos) Botas de Resina

02 novembro 2017
17 de Outubro, teste de português, tinha acabado de entrar na sala, sentei-me, a professora entregou os testes e comecei a fazê-lo.
Supostamente era um teste normal até que, passados dez minutos, a professora levanta-se e foi um inferno! Nem o S. é tão irritante! Só me apetecia dar duas "festinhas" à senhora professora, mas pronto, sou calmo. Sempre que me começava a concentrar, lá os diabos se levantavam: aquelas botas com resina, que parecia que se colavam ao chão, a fazerem aquele barulho insuportável. E para piorar,ela andava devagar, como quem diz: não gostam, temos pena.
Depois de uma meia hora infernal, lá consegui chegar à composição: tinha de fazer uma crónica, não tinha ideias, até que a professora se levantou, vindo-me logo à cabeça, a ideia de criticar aqueles farrapos velhos a que ela chamava de botas.

Conclusão disto tudo: fiz o teste bastante desconcentrado, como era de esperar, mas tive uma excelente ideia para uma belíssima crónica, provavelmente a melhor da turma, tudo graças àquelas botas de resina ou lá o que era aquilo.

Ângelo Taveira, 9ºD