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Pares fofinhos

20 outubro 2016

A M.E. hoje disse assim:
- Professora (quando não está nervosa, a dicção já lhe sai perfeitinha, perfeitinha), podemos fazer a ficha a pares?
- Sim, não me importo, desde que trabalhem… – respondi.
- E podemos fazer pares de 4?- perguntou, com o ar mais inocente que se possa imaginar.
Houve por momentos um silêncio, entre o pesado e o constrangedor, acompanhado de expressões faciais que denunciavam o impasse em que se quedaram os nossos cérebros. Estaria a desafiar-nos? Seria aquilo fruto de alguma súbita indisposição?
Eu cá não respondi, mas lá que me ri, isso ri, embora de forma pedagógica, naturalmente.
- Oh pressora! – respondeu. Note-se como a dicção se lhe afectou, em virtude o nervosismo por que foi tomada.
E tudo decorria dentro da normalidade possível, quando, a propósito de verbos auxiliares, escrevi um exemplo no quadro: “Tenho comido muito ultimamente”. Mal acabava de o fazer, já o A. entornava esta pérola:
- Por isso é que a professora ‘tá gorda!
- Oh A., e um eufemismozinho não cairia aí melhor? – disse logo eu, que não perco uma oportunidade para testar os conhecimentos dos pequenos. Era isso, ou dar-lhe um estalo e ordenar-lhe que fosse chamar gorda a outra.
Prossegui com:
- E já agora sabem o que é isto de eufemismo, não sabem?
A M.E. deu a resposta de que nenhum gramático ainda se lembrou:
- Oh, é aquele que é fofinho!
- Ora que bela definição! – respondi. E, professoral, ainda com ganas de me ir ao A. e dizer-lhe a quem é que ele podia ir chamar gorda, lá lhes disse que quando me quiserem chamar gorda, coisa disparatada, vinquei, que digam antes que sou anafadinha, que sou cheiinha, terá, para eles, o mesmo efeito, com a grande diferença de eu quase gostar.
Mas ouve-se agora muito que “nada é por acaso”, e esta intervenção do A., a quem não sei se não terei de dar um valente enxerto de porrada, serviu-me para futuramente inovar quando estiver a dar a definição de eufemismo: recurso estilístico que torna tudo fofinho. Até as festinhas que farei nas costas do A., com uma varinha de marmeleiro.

DESAMORES, FINADOS E BURROS

23 novembro 2015


Hoje falou-se de eufemismos. E vá de tentar que os moços descobrissem, e vá de dar uma ajuda, e vá de insistir, até que, o G., muito despachado, como só ele sabe ser, se saiu com esta pequena pérola:
- Oh pressora, isso do eufemismo é o mesmo que, tipo, eu andar com uma rapariga e querer acabar com ela e em vez de lhe dizer “ - Não quero saber de ti para nada…”, dizer , tipo, “Ah, eu não te mereço, tu não tens culpa nenhuma, mereces alguém melhor do que eu…”
- Isso! Isso mesmo, G.! – respondi eu, satisfeitíssima por o pequeno ter dado uma demonstração clara de ter entendido tudo muito bem.
Ora, a A. não se quis ficar atrás, e vá de dar também provas de toda a compreensão que se abateu sobre ela:
- Pressora,  – dizia-me – é assim, tipo… a minha tia ‘tava… quer dizer, a minha avó morreu, não é?
- Não sei… -respondi entre o lamentar o desaparecimento da senhora e o tentar perceber onde estava a jovem A. a tentar chegar.
- Sim, pressora, morreu! Mas, tipo¸o meu pai quando chegou a casa disse à minha mãe, em vez de “ela morreu”, disse tipo “ A tua mãe finou-se”! – esclareceu a A., terminando com uma estrondosa gargalhada, que os outros pequenos iam começar a acompanhar, mas que estancaram, depois de se aperceberem de que eu não me estava a rir.
- Certo, A., claramente entendeste o que é um eufemismo. – disse-lhe. Gostava de ter comentado que não entendi a referência à tia, mas achei que seria uma longa conversa, que exigiria um tempo de que não dispunha.
Ainda na mesma aula, a determinada altura, percebi que não me estava a fazer entender… aliás, o F. até pediu:
- Poderia ser mais explícita, pressora?
Eu queria que chegassem à ideia de juventude, vai daí, saiu-me uma questão inocente:
- Reparem, eu tenho 39 anos, vocês têm 12, então, em relação a mim, vocês são o quê??
- Burros, pressora! – foi a resposta.
Importa dizer que veio em coro.

São uns queridos, os mocinhos…