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DIA 34 - BOLACHAS, MALAGUETAS, E ALGUMAS "CÃEFUSÕES"

30 outubro 2015
Há lá coisa melhor que começar o dia numa sala de professores?
 Sim! Claro que sim! Há, não uma, mas várias coisas melhores do que essa, no entanto, como o Euromilhões anda às avessas comigo, lá fui eu para a dita sala, onde a confusão já estava instalada:
- Olha lá, quem é que ratou as bolachas? - perguntou-me a L., com um ar de revolva contida.
Do que estava ela a falar, perguntei-lhe. Que alguém tinha ido à minha parte do cacifo, tinha aberto e ratado as duas bolachas do pacote. Que não estava certo, dizia-me e eu concordava, nem sequer me atrevendo a discordar.
Mas não se ficou por aqui, ouçamo-la:
- Como comi as tuas bolachas, fui comprar mais e ontem, para acompanhar o café fui buscar o pacote que restava e olha, nada!
Não está certo, de facto, dizia eu, entendendo perfeitamente a indignação da L. por alguém ter ratado as minhas bolachas, que ela me ia roubar!
Começaram as averiguações: a L. não poderia ter sido, a N. também não, porque essa nunca sabe nada, nunca vê nada, nunca rouba nada, só restava a A.R., seguramente a responsável por tão grave delito. E digo seguramente, porque como não estava na sala, não teve oportunidade para dizer que também não tinha sido ela. Ora se não negou, quem terá sido???
Ao olhar para o cacifo, tinha lá um presente: dois molhinhos de malaguetas, que agradeço, em meu nome e da D.G. . Graças a isso, temos agora o cacifo mais hot da escola.
Antes de sair, a N. deu-me o Raul, , de quem se despediu, assegurando-lhe que seria apenas um fim-de-semana e estaria de volta. Trouxe-o comigo e foi um sucesso. Desde a D.ª C., que ainda não o conhecia e ficou encantada e com um bocadito de inveja, que bem vi, à senhora que lava as escadas do meu prédio, com quem me cruzei à entrada e que comentou:
- Olha que bichinho tão bonito! - enquanto lançava um olhar embevecida.
Quem é o Raul?
Dele falarei num outro dia, até lá, fica o mistério.
Estarão todos a perguntar-se se eu hoje não falo dos alunos. Falo, pois: cá vai: está calado e presta atenção, vira-te para a frente, vai lá fora arejar as ideias. Pronto, já está!

DIA 26 - MARMELOS E AZEITONAS. E BOLACHAS TAMBÉM

22 outubro 2015

Hoje foi dia de teste.
Para evitar a avalanche de dúvidas, disse aos moços que apenas estaria disponível para esclarecimento de alguma questão nos 10 minutos finais.
É claro que foram pondo dedos no ar, é claro que eu ia olhando, fazendo uma aceno negativo, e a dúvida esvaía-se. Aconteceu assim com quase todos. Quase, pois o A., teimosamente, insistia em chamar-me. Fui-me sempre escusando, até que percebi que, para além de continuar com o dedo no ar, o olhar esse, começava-se-lhe a humedecer.
Contrariada, embora com o coração amolecido, perguntei-lhe o que se passava.
- Oh pressora- o tom era envergonhado – eu já soube isto, mas agora já não me lembro…
Ofereci-lhe um “sim…” expectante.
- Oh, pressora, qual é que é o fruto da oliveira?
- Marmelos! – pensei em responder, mas achei por bem não o fazer, até porque a criança estava com cara de quem iria acreditar em qualquer coisa que eu dissesse. Em vez disso, respondi:

- É a azeitona, A., é a azeitona. 

Chegada à sala de professores, sou interpelada pela L., que me disse:
- Olha tens de pôr ali mais uns saquinhos daqueles verdes...
Referia-se às bolachas que eu deixara no cacifo e que ela comera na tarde anterior.
Que eram mesmo boas, disse-me, até me perguntou onde as comprara, não que tivesse intenção de o fazer, mas para ficar informada, que a L. é rapariga que gosta de saber muitas coisas.

DIA 24 - O MISTÉRIO DA CASA VIGIADA OU TERÁ A E.C. TEM ALGO A ESCONDER?

20 outubro 2015

Os cacifos continuam a dar que falar e há pessoas que são invejosas. Já imagino a indisposição que esta afirmação está a causar, mas não sou de meias palavras e há que ser pegar o boi pelos cornos, esperando não bater com eles na parede. Há quem não possa ver um cacifo em condições. Começa logo “ai jesus, que eu também quero”. Aqueles que não disfarçam nada e que fazem grande alarido, são inofensivos: muito grito, muito grito, mas espremida a conversa, pouco sobra. O problema são os outros, que passam despercebidos. Afáveis, gostam de guardar uma certa distância, que nunca assumem, mas que muito prezam. É desses que vou falar, nomeadamente da colega E.C. e do seu ar simpático e cordial e do seu riso fácil. Pois se a E.C. é tudo isto, por que razão há-de ser tanta qualidade um problema?? Simples, caros leitores, é que atrás de tanta amabilidade esconde-se esse sentimento medonho que é o da inveja nunca assumida. E a colega E.C. padece desse mal, tanto que, quando menos se esperava, eis que nos espetou a todos uma facada, movendo o punhal em círculos e provocando, não sangue ou estrebuchamentos , mas a enigmática questão:
- De quem é este cacifo?! – questão de todos, com o sentimento de traição a bailar-nos no olhar.
Ninguém sabia.
Nada de novo, afinal nunca ninguém sabe nada nesta escola, quando se trata de cacifos.
Arregacei as mangas e pus-me à coca, que é como quem diz, perguntei à primeira alminha que passou a quem pertencia tão vigiada casa. Disse-me, “Ah, isso é lobby dos de Inglês”. Ora o que não falta são professores de Inglês, pelo que, insisti, mas de quem?? A alminha, cujo nome não refiro, por não me recordar, pedindo, desde já, perdão, a alminha, dizia eu, abriu a porta e verificou tratar-se da colega E.C. Eu cá, levei logo a mão ao peito com a admiração que me tomou e fui passando palavra, que eu cá não gosto de me admirar sozinha. A cada um que contava, era uma manita que ia ao peito. Pasmo geral, portanto.
É claro que começaram logo a surgir questões, que esta gente pensa muito:
- Para que quer a E.C. uma casa vigiada??
O J.M. fez logo uma associação entre este mistério e um caso antigo de um arquitecto, que fez não sei o quê com não sei quem, no seu escritório num sítio cheio de árvores, daquelas que dão amoras. A E.C. disse logo que não, que estava muito enganado, enquanto a vozinha lhe tremia e um sorrisinho lhe pairava no rosto, que entretanto corara. Como podem ver, a resposta é pouco convincente e ficámos assim com dois mistérios.

Quanto à inveja da colega E.C., posso dizer-vos, é mal que se pega. Agora ando aqui que não me aguento por não ter uma casa tão sofisticada quanto a dela.

Dia 12 - O menino da lágrima

02 outubro 2015

Há um burburinho indisfarçável em torno do meu cacifo e do seu napperon: muito comentariozinho, muito olhar de soslaio. Muita inveja, sei-o bem.
Assim que viram o naperão, "ai que lindo", "ui, é vintage", " mas que bem" e vá de sugerir, que estas pessoas, quando é para sugerir, chegam-se logo à frente. O J.G. até me prometeu trazer um cão de loiça, já a I.C., finíssima, insiste que um rolo de papel higiénico todo forrado a crochet é que faz falta, e no meio desta conversa sem fim, surge a ideia d' O menino da lágrima, essa grande obra, pendurada em todas as paredes de qualquer lar bem português. 
Até me arrepiei, e foi arrepiada que pus mãos à obra. Gostaram todos muito do resultado final, mas não sei se por maravilhamento, ou escassez de vocabulário, as reacções foram as mesmas, portanto escuso de me repetir.
Só ao fim da tarde, tive, finalmente, um  feedback digno de registo, veio do J.M., a quem dou a palavra:
- Antónia, aquele cacifo é o requinte do mau gosto.
Percebi, de imediato, que estava no caminho certo.

Dia 11 - Cacifos, napperons e fezes

01 outubro 2015

- Olha lá,- e eu olhei -  já foste ao teu cacifo?- e eu fui- – perguntou-me, se a memória não me falha, a N.
Imagine-se que alguém foi ao seu enxoval e de lá retirou o mais bonito napperon, num inenarrável gesto de bom gosto e desprendimento, embora, por um descuido imperdoável, não o tenha passado a ferro, invalidando, assim, tudo o que aqui se disse a propósito do gesto que teve. Além disso, quis parecer-me, que um leve odor a naftalina começou a pairar em toda a sala de professores.
É quadrado, o napperon, de linho, com uma delicada renda à volta, cujo ponto hei-de tirar para levar à minha mãe querida, que muito me agradecerá, pois poderá mostrá-lo, como troféu, a todas as vizinhas que, como ela, fazem ao desafio, pontinhos nas bordas dos panos de cozinha.
 Começa a ter ares de lar, o meu cacifo. Digo o meu, porque ainda não perdi a esperança de a D., não aguentando tamanho bom gosto, decida desocupá-lo. Isso, sim, seria uma verdadeira atitude filantrópica, mas desconfio que a D. não pensa como eu, o que lamento.
As conversas começam a ter um nível cada vez mais elevado, facto que muito me apraz. À roda da mesa, numa saudável terapia cultural, entre um folhado e um limpar de beiços, discutiam-se peculiaridades linguísticas: “A minha filha só me dá é fezes”. A frase foi proferida por uma colega nova na escola, a quem peço desculpas por ainda não saber o nome. Mas isso é irrelevante, pois não é dela tão distinto discurso, antes de uma senhora que o dirigiu à prima de um amigo do irmão da colega de quarto da colega nova.
Mas a colega nova reproduziu uma coisa dessas enquanto comiam? Que falta de educação!, pensarão. Pontos nos ii, que a colega nova tem maneiras e muito berço. Vem do Alentejo, esse outro mundo, que é a minha terra também, e onde uma filha dar fezes à mãe está muito longe dessa imagem escatológica que a vossa imaginação já vos criou.  Tal como em - Ai, vizinha, tantas fezes! não encontramos o espanto de duas mulheres a olharem e a verem excrementos até ao horizonte. Ou em, Ai, mana, que fezes tã grandes, que fezes tã grandes! não está o espanto de uma anciã ante a dimensão da sua matéria fecal.
 Apressem-se a apresentar  as vossas desculpas à senhora que tinha uma filha que só lhe dava preocupações, à vizinha que também as tinha e à anciã que tantos desgostos a vida lhe dá.

Quanto ao napperon, agradeço-o, uma vez mais, pedindo a quem teve tão singular gesto que se identifique, e que traga um ferro para dar conta dos vincos marcados pelo tempo. Que não me deixe nestas fezes, portanto.

Nota: confirme aqui a  definição do Dicionário Priberam Alentejano.

Dia 10 - Coelhos, ossos e, claro, cacifos

30 setembro 2015


O beliche não é bem um beliche, mas graças à D.G (a quem publicamente agradeço, cheia de salamaleques), tenho, não apenas o melhor cacifo, como também o mais arrumado. Não quero com isto dizer que, por exemplo, o da D. e da N. esteja um desconcerto tal, que nem com uma arrecadação, se entende.
Nas aulas, tudo em ordem:
- Professora, sabe que me chamam coelho? – perguntou serenamente  o G., adorável como só ele sabe ser, com dois distintos incisivos.
Como me acontece amiúde, baixou sobre mim a clarividência, que também ontem me tomou, e coloco a seguinte questão:
- Porquê? – enquanto me esbofeteava mentalmente.
Indignado, mas sempre tranquilo, o G. atirou-me à cara, como um estalo:
- Oh professora, então não se vê logo?!
Pois, G., mas quando te olho, eu vejo-te. Muito para além das dentolas, como lhe chamas.
E porque não vos quero levar às lágrimas, vou deixar-me destas considerações e avançar já para o momento em que, num acesso de desespero por nenhuma das explicações que dera a propósito da matéria ter surtido qualquer efeito, emiti um som, cuja aproximação onomatopaica seria, não se assustem:
- Grrrrrrr!!!!!
- Ai pressora, não se cheteie, dizia a A.
- Já estou chateada! A seguir começo a morder-vos!
E o G., que teve hoje o seu momento alto, de forma muito calma, chamou-me e de semblante muito sério, esclareceu-me:
- Professora, (desculpem-me interromper o discurso do pupilo, mas importa referir que, dos 100 que me cabem, este foi, até agora, o único que pronunciou todas as sílabas deste nome que me chamam) mas eu sou só ossinhos! – enquanto me esclarecia, esticava os seus bracinhos franzinos.
Não contente ainda com todo este meu desempenho, apercebi-me de que tinha perdido a bolsa dos lápis. Depois de todos os que estavam na sala de professores terem batido com a mão no peito a declarar a sua inocência, decidi ir à sala onde estivera a dar aula.
- Toc, toc… ( hoje estou muito dada às onomatopeias).
- Sim…
- Desculpa, T., estar a incomodar-te, venho só buscar o meu estojo…
A T. procurou, eu também, a T. já andava de rabo para o ar, isso eu não fiz, eis que um aluno coloca o dedo no ar. Silêncio para o ouvir:
-Mas a pressora saiu da sala ao lado, é melhor ver lá.
Sorri-lhe entredentes. Agradeci. Desculpei-me. Saí.

E dou por terminado este texto. 
Recuso-me a esta humilhação em praça pública!

Dia 9 - Patos, frangos, bíblias e beliches

29 setembro 2015


11:45. Toque de saída. Contrariados, arrumavam o material e lentamente iam para o intervalo. Fui-me aproximando da porta, a pensar nos longos 5 minutos de descanso que iria ter. O condicional cai aqui que nem uma luva, já que o D. quis falar comigo. Pensei numa resposta rápida e eficaz que o demovesse, mas não me deu tempo, começando a disparar uma suspeita que o andava a moer há já 8 dias. O ar cauteloso e desconfiado adensou o mistério e fiquei, genuinamente curiosa. “Pressora, eu acho que é frango.” 

- Ãh?- perguntei entre a confusão e o espanto.

- Sim, pressora, não é pato! – respondeu-me, mantendo a seriedade.
Fui buscar toda a minha bagagem cultural sobre mitos urbanos (ou não) e tive este assomo de clarividência:
- Foste ao restaurante chinês? (“mas não é gato que se diz?”, pensava eu, achando que a criança estava muito perdida)
Franziu o sobrolho, encolheu os ombros, como quem diz “’Tás parva ou quê?” e esclareceu-me:
- , pressora, na cantina. Elas ali dizem que é pato, tipo, arroz de pato, mas é frango. Cá a mim sabe-me a frango!
Percebi que o assunto era demasiado sério para ser tratado de ânimo leve, apressei-me a assegurar-lhe que iria averiguar o que se estava a passar, terminando com: “aproveita os últimos minutos do intervalo!”
- Não vou ter aula, por isso é que falei consigo.
Mentalmente, dei-lhe uma carga de porrada, que só acabou com o toque de entrada. Um minuto depois.
Já na sala de professores, ao olhar para o meu cacifo, lembrei-me da D. “Tenho de lhe dizer”, pensei. De que falo eu, perguntar-se-ão. Pois cá vai: na passada sexta-feira, a D. confessou a sua culpa e arrependimento. Ouçamo-la: “Fui eu, e mais não digo, apenas que estou muito arrependida.” Não foi preciso insistir para ela relevar o que fizera. Parece que estava na sala de professores, sem nada para fazer, olhou para o meu cacifo, que é também da D.G., e decidiu baralhar todas as folhas que lá estavam, alegando que, ouçamo-la uma vez mais: “Assim podem dar as aulas uma da outra.”
Pois é, D., devo dizer-te que baralhaste as folhas da D.G. unas con las outras, pois nesse dia tinha tirado de lá todos os meus pertences. Está dito.
Ainda a este propósito, notícia bem fresquinha, parece que a outra co-proprietária montou um beliche lá no appartement. A ver vamos.
Neste momento, e porque são leitores perspicazes, já se terão apercebido de que não falo das bíblias que refiro no título. Eu confesso, estão ali só para despistar.

Dia 5 - Agitação imobiliária

23 setembro 2015

O Mercado imobiliário começa a dar sinais de vida.
Hoje, depois do burburinho dos que sonham, como eu sonhei, com um apartamento na cobertura, reparo nisto:


“ALUGA-SE 

só até final de julho
bem localizado"
Não me admiro nada que, em breve, estejamos todos na cobertura do prédio e as caves fiquem à espera dos turistas. Há-de ser bonito… tudo ao molho, e começa a festa:
- Ai chega p’ra lá as tuas bolachas que os meus cremes têm de caber aqui.
- Era o que faltava, tenho tanto direito quanto tu.
- Ah, mas eu fui o 3º a chegar.
- Lá porque fui o 6º, tenho os mesmos direitos.
- Pois é, eu fui o 1º, e tenho o fio dentário em cima do verniz da colega do lado, que está sem espaço…
Eh gentinha sem berço!
Depois destas considerações menos cristãs, entro na sala de professores e encontrei, novamente, a presença do Senhor: A N., de livro sagrado em punho, lia um Salmo “ao calhas” a cada um dos que por ali aparecia.
Assim, ungida, vim para casa e agradeci ao Sr. Ministro ter-me colocado numa escola tão sadia.

Dia 3 - O cacifo

21 setembro 2015
Revelo o meu sonho secreto de ter um apartamento na sala de professores. É um sonho como qualquer outro, muito motivado, confesso, pelas dores de costas que os meus 18 anos de vida me começam a dar. 
De imediato, D. faz-me um convite ansioso: "Ai, partilha-o comigo!". Velha loba solitária, não tinha colocado a hipótese de dividir uma casa fosse com quem fosse. No entanto, sendo na cobertura do prédio, não implicando, por isso grandes esforços dorsais, lá anuí, deixando, bem claro, no entanto, que não prescindia de uns cortinados e quiçá de uns napperons, assim à francesa, que eu sou chic! 

Enquanto isso, o colega L. também manifesta a sua disponibilidade para partilhar a casa comigo, alertando-me, no entanto, que a sua fica praticamente na cave, o que implica um andar de "rabo p'ró ar, que talvez não fique bem a uma senhora de boas famílias, como é o meu caso.

Optei pela primeira oferta, com as condições mencionadas, que foram aceites de imediato, um privilégio para a D, ela sabe, e sou, a partir de hoje a feliz co-proprietária do melhor cacifo da sala de professores da minha escola.